Programa Freestyle: 2 anos respeitando o Hip-Hop

Última atualização em 28 de agosto de 2019

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Flyer da festa

O Programa Freestyle celebra 2 anos de entrevistas, debates e divulgação do Rap Nacional. Grupos como RZO e Pentágono, DJs como KLjay e Marco, estiveram nessa vitrine. Kamau e Edy Rock, entre outros MCs que representam os diversos estilos do canto falado, também passaram pelo Freestyle, um veículo dinâmico e de grande importância para a cena Hip-Hop.

Pra comemorar seu segundo aniversário, o Freestyle realizará uma festa no Hole Club, no dia 12 de setembro, em São Paulo, com show do grupo SP Funk. Marcílio Gabriel, um dos responsáveis pelo programa, que também possui um blog de entrevistas, fala sobre a trajetória de sua empresa no Bocada Forte.

Bocada Forte: Quando surgiu a ideia de fazer o programa? Qual a principal dificuldade no início? Existe uma equipe que trabalha com você?
Marcílio Gabriel: A ideia surgiu através de um colega de trabalho, foi no segundo semestre de 2006. Eu trabalhava em uma rádio do circuito comercial de São Paulo voltada ao público jovem e sua programação era segmentada ao Rock e como ficava praticamente o dia todo na rádio, levava alguns sons pra curtir lá e esse colega sempre perguntava sobre os sons e os artistas que eu ouvia no estúdio. E numa dessas ele deu a idéia de fazer um programa de rádio na internet, sugerindo o até então “novato” formato de áudio para web, o  podcasting. Como a gente trabalhava juntos com esse conteúdo pro site da emissora, foi tranqüilo iniciar a produção do programa. Comecei divulgando apenas para os amigos e alguns contatos de e-mail, mas me surpreendi com o resultado inicial dos acessos, por ser um trabalho bem produzido com uma dinâmica de programação bem parecida com de rádio FM, eu percebi que aquilo poderia ser mais um canal colaborador com a divulgação do Hip Hop e no ano seguinte, em Abril de 2007, resolvi fazer o site e começar a trabalhar mais sério com o projeto.

Pra ser sincero, não tive muitas dificuldades no início, pois a maior dificuldade de se fazer um trabalho assim é estrutura, e eu tinha acesso a isso, já era profissional da área e por isso foi mais fácil dar vida ao programa. Acho que depois que o Freestyle começou a ser mais conhecido que as dificuldades começaram a aparecer, pois as responsabilidades aumentaram e o fluxo de trabalho também.

Hoje, o Programa Freestyle trabalha com uma equipe. Somos três no time: Eu, Marcílio, que cuido de toda parte de produção do programa, o Dennian que cuida da parte de imagem e o Fábio Bocão que também é produtor e escreve pro do Blog.

Equipe do Programa com o Emicida

BF: Qual a linha editorial do programa? Ele é voltado para algum estilo de Rap?
Marcílio: O programa não é partidário, não levantamos bandeira de nenhum estilo de rap. Como disse, o Freestyle é um canal que está para colaborar com o Hip Hop nacional na divulgação e entretenimento do segmento. Se você pegar os programas e ver os convidados, vai notar que existem vários artistas com propostas diferentes em suas letras, porém fazendo a mesma música, que é o rap. Entrevistamos desde o Projeto Manada ao Função RHK, isso mostra que o Freestyle traz essa unidade dos estilos, aí fica a critério do ouvinte ouvir o grupo ou estilo que ele gosta, lá tem diversas opções. Eu acho que essa junção só fortalece a cena.

BF: Você sabe qual o perfil do público que ouve o Freestyle? Esse perfil mudou com o passar do tempo?
Marcílio: Sobre o perfil exato do público não tenho uma noção precisa. De repente pra se ter isso em dados é importante se fazer uma pesquisa de publico alvo. Por agregar grupos e idéias variadas, acredito que o público não seja seleto, mas eu acho que não dá pra dizer que ele vai mudando com tempo e sim aumentando e se diversificando. Pra você ter uma noção, eu já recebi e-mail de publicitário pedindo o contato de um artista porque ele o ouviu no Programa Freestyle. Isso é gratificante pra gente porque acaba mostrando que o público não está só na periferia ou só no centro e sim em todo canto do país e do mundo, a internet possibilita isso, está acessível pra todos.

BF: Cite algumas memoráveis entrevistas.
Marcílio: É complicado apontar algumas, porque as entrevistas são bem legais, o formato do programa deixa a entrevista gostosa de se ouvir. O ouvinte é o mais indicado pra responder isso. Mas eu me colocando no lugar do ouvinte, tem sempre aquela que emociona, a entrevista com o DJ KL Jay e o Edi Rock foi muito importante pra eu como fã de rap. Agora num modo geral tem entrevistas bem legais como a do Mzuri Sana, Kamau, Mamelo, enfim… Todos convidados mandaram bem, o site é um prato cheio de idéias e entrevistas legais.

BF: Quais foram os melhores sets do programa?
Marcílio: Como a programação é livre e é do convidado, eu acho que os programas com os DJs que passaram pelo Freestyle são os mais redondinhos,  sempre tem um set mais trabalhado, elaborado, eles já estão acostumados com isso, não é? Sempre mandam bem nessa parte.

Equipe do Programa com o RZO

BF: Como você analisa a cena Rap atual?
Marcílio: Essa é uma pergunta que eu sempre faço pro pessoal que passa pelo programa, agora eu me pego respondendo-a. É uma pergunta difícil, porque num desvio de idéia você pode perder o raciocínio, mas eu vejo um amadurecimento na parte musical e principalmente na nas idéias, letras… Grupos como DMN, Thaide e DJ Hum, Racionais, RZO, Consciência Humana, Facção Central, Gog e outros são influências diretas pra cena de hoje e sempre vão ser, mas o mais bacana é perceber que mesmo que tendo essas referências, alguns grupos se destacam por levar idéias diferentes aos seus trabalhos. Você pega o disco “Superação”, do Contra Fluxo, por exemplo, essas influências estão lá nas colagens, nos scratchs, numa citação ou outra, mas as idéias que os caras trazem nos sons é uma coisa que esta muito a frente, até agora eu não ouvi nada no rap parecido com o disco dos caras, parecido com o disco do Elo da Corrente, do Kamau… Isso no lado das composições.

Agora por um outro lado a cena atual deixa um pouco a desejar no sentido mais profissional da coisa, existe muito grupo de Rap hoje, muito mesmo, todo mundo que ouve rap faz rap pelo fato de hoje em dia tudo estar mais acessível e à disposição (computadores, internet, equipamentos) com isso esse toque profissional às vezes é esquecido, mas pra se ter esse toque profissional é necessário ter profissionais atuando também, não só beatmaker, MC e DJ. Existem muitas outras funções que envolvem o Rap porque ele é um estilo musical como os outros, então, acho importante as pessoas se interessarem mais com isso.

BF: Qual o papel da internet e de iniciativas como o Freestyle para o Rap e o Hip-Hop?
Marcílio: Difundir, propagar, divulgar, multiplicar informações, seja sobre determinado artista ou sobre a cena geral, isso positivamente, é claro. Por isso é importante que existam mais rádios e programas de Hip Hop, mais portais de comunicação, mais canais de TV, tudo isso em prol da cultura. Trabalhos assim precisam chegar pra somar com tudo o que envolve o Hip Hop, sendo assim a cultura só tem a se fortalecer.

BF: Como vc encara o aumento do número de rádios online devido ao fácil acesso a tecnologia?
Marcílio: Eu não vejo aumento do números de rádios online, pelo contrário, acho que aqui em São Paulo não tem nenhuma rádio online que toca rap 24 horas na sua grade, se existe, ela precisa ser mais divulgada. O Programa Freestyle não é uma rádio online, é um programa de rádio na internet que a cada quinze dias coloca uma edição nova em sua programação, é diferente, isso é importante lembrar. Pra se fazer uma rádio online você depende de vários recursos, um deles é manter um servidor com o streaming ligado o dia todo, aí se geram outros tipos de recursos, que são dinheiro, pessoas, tempo, luz, telefone… Tudo pra se fazer a manutenção desse serviço.

Agora nesse formato que o Freestyle trabalha, eu sinto falta de programas de rádios, quase não tem programa com qualidade de produção, com entrevistas que chamem a atenção do ouvinte, com uma apresentação clara. É claro que pra isso você depende de estrutura boa e tal, mas não é difícil de ter acesso a isso, é só se movimentar e ir atrás que dá pra desenvolver trabalhos muito bons com rádios na internet. Trabalhos como o da 457FM de Porto Alegre e o programa da Rádio Boomshot de São Paulo são legais e valem a pena destacar.

Equipe do Programa com integrantes do Elo da Corrente, Contra Fluxo e Ascendência Mista

BF: Os artistas do Rap estão amadurecendo em relação ao trabalho com os meios de comunicação?
Marcílio: Eu acho que sim. Alguns artistas já têm essa intenção de fazer um trabalho em conjunto com os meios de comunicação, outros já tem sua assessoria e são muito bem assessorados, o que é super importante. É mais ou menos aquela idéia que comentei em uma pergunta anterior. É importante se planejar uma forma de se aliar aos meios, afinal são eles que levam informação ao público. É essencial se trabalhar com um assessor de imprensa, se o grupo ou artista tem condição de ter um, então tenha. Se não tiver condições, procure trabalhar com um material de divulgação bacana, release com dados e informações sobre o artista, fotos bem tiradas, qualidade boa do áudio a ser enviado, e claro, procurar ter um contato com os comunicadores e seus veículos pra poder divulgar seu trabalho.

BF: O que o público pode esperar da festa de aniversário do Freestyle?
Marcílio: Olha, eu tenho certeza que o público vai gostar muito da festa. Estamos preparando-a com muita dedicação e atenção. O ano passado a festa de um ano foi muito boa, e esse ano queremos que seja melhor ainda. Só de ver as atrações já da par sentir o que vai ser esse evento. O mais bacana é que a principal atração da festa, o SP Funk, está preparando um show especial. Conversando com o Tio Fresh e o Bomba, deu pra notar que eles estão muito entusiasmados com essa apresentação. E outra, é o SP Funk, um dos grupos principais e mais influentes do Rap nacional, ver um show de um grupo que carrega em sua discografia clássicos do Rap como “Enxame”, “Fúria de Titãs” “Legião Estrangeira”, “Viaje”, “Tá pra nóiz” e outras é pra entrar pra alameda da memória mesmo. Esperamos que seja uma festa inesquecível para público que vai estar presente.

BF: Qual a aposta do programa Freestyle? Que DJ ou MC merece atenção e terá um bom trabalho em 2010?
Marcílio: Em algumas outras entrevistas, sempre citei o Emicida como o artista indispensável no fone, não preciso dizer mais nada, 2009 está sendo dele e isso porque ele lançou um disco não-oficial, o cara está aí e se continuar nessa pegada vai ficar por mais tempo entre os principais artistas da cena. Agora, um grupo que merece meu destaque e que tenho certeza que quando lançar seu primeiro álbum vai chegar com muita força e se destacar na cena é o curitibano Savave. Os caras são muito bons. Outro que eu acho que tem tudo pra se destacar é o Rincon Sapiência, também muito bom MC. Sobre os DJs destaco três que terão e darão continuidade ao bom trabalho em 2010. São eles: DJ Erick Jay que é integrante do Clã Leste Djs e toca para o Kamau, um dos melhores nas performances em cima dos toca-discos; DJ Nato Pk, do Pau de Dá em Doido, ótimo DJ e excelente beatmaker e DJ Nyack, que toca para o Emicida, muito talentoso e tem um conhecimento musical surpreendente. Agora outro que gostaria de citar um DJ que eu sou muito fã, antes mesmo de conhecê-lo e ser um parceiro do Freestyle, é o DJ Marco. Sempre admirei seu trabalho desde os tempos do Posse Mente Zulu, e costumava a falar para meus amigos que o set dele e o do DJ Primo eram os que eu mais curtia nas festas. 

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