Beatmaker #1 – Raiany Sinara ”o problema não é a falta de mulheres, mas a falta de visibilidade”

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#Entrevista #Beatmaker

O hip hop em determinado momento se coloca machista ao destacar apenas protagonistas homens na cena, seja como Mcs, DJs, no break, no grafite e também na produção musical. Entretanto, nos últimos tempos as minas estão ocupando espaços, principalmente as Djs e Mcs, mas sentimos falta de beatmakers e produtoras mulheres, ou pelo menos, sentimos falta do destaque merecido pra elas, seguem com pouco espaço em comparação aos homens.

Nessa entrevista que será o inicio de uma série sobre os/as beatmakers entrevistamos a Raiany Sinara.

Ela é produtora musical e beatmaker. Natural de Mato Grosso do Sul e, desde de 2017 em São Paulo, participa do ‘Beat Brasilis’ – coletivo de beatmakers que pesquisa samples a partir de discos de vinil e realiza performances de live beats.

Há 11 anos, como autodidata, estuda música e tem como principal referência a música brasileira, mas também, transita nos campos da música eletrônica (psytrance, house, techno) e, recentemente, do hip hop. Assim, desenvolve sua pesquisa focada em música e tecnologia, trabalha com recursos de softwares e aplicativos na construção musical.

Nessa entrevista falou um pouco de suas influências e de seu trabalho como beatmaker. Confira.

Bocada Forte:  Como e porque começou a produzir beats?

Raiany: Desde cedo já tinha muito interesse musical, mas só aos quinze anos pude ter meu primeiro instrumento, o violão. Fui me desenvolvendo a partir dele e descobri que podia me expressar e me movimentar musicalmente desde que empenhasse estudo. Após dez anos em convívio com instrumentos de música orgânica, veio a vontade de explorar a música feita no computador.
Tive meu primeiro contato baixando um app gratuito no celular, chamado bandlab, onde eu recortava batidas de músicas e misturava com vozes de outros lugares.

Gostei bastante da experiência e passei a usar a versão de computador do app.
Comecei a pesquisar nas redes sociais sobre beatmakers do Brasil e descobri o Beat Brasilis, evento que acontece toda quarta-feira reunindo produtores que criam a partir de samples de disco de vinil. Foi lá, no Beat Brasilis, que me aprofundei no estudo dos beats e decidi encarar como profissão.

Bocada Forte: Como funciona seu processo de criação? Quais softwares ou equipamentos você usa?

Raiany: Eu procuro deixar a mente livre. Vou experimentando os instrumentos virtuais e timbres até que uma ideia surja. Também gosto muito de recortar vozes, trocar as palavras de ordem e começar a produção a partir disso.
Uso uma Maschine Mk1 e Ableton.

Bocada Forte – Na sua opinião, porque ainda não temos tantas mulheres beatmakers em comparação ao numero de beatmakers homens?

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Raiany: Conheço muitas mulheres beatmakers. Vejo que o problema em questão não é a falta de mulheres, mas a falta de visibilidade. Existe uma desigualdade histórica de gêneros, que atinge várias áreas, inclusive a dos beatmakers, que na minha opinião ainda está muita atrás na reparação dessa condição.

Bocada Forte – Quais cantoras(es), produtores ou álbuns foram essenciais na sua formação e o que você mais escuta hoje em dia?

Raiany: Me lembro de quando criança, ficar ao lado do rádio pra ouvir a Negra Li cantar Não é Sério’ e desde lá, acompanho a música dela. No meu som sempre tá tocando  Sudan Archives, Leci Brandão, Bia Ferreira, Linn da Quebrada, IAMDDB, Ellen Oléria, Linafornia, Danna Lisboa, Bad Sista, Virgínia Rodrigues

Bocada Forte – Qual estilo de produção você mais gosta de fazer , sampleando, tocando ou os dois?

Raiany: Eu experimento bastante. Gosto de variar na hora de produzir, então procuro fazer um pouco de casa método para me desenvolver de diferentes maneiras.

Bocada Forte: Qual sua opinião sobre a questão da valorização dos beatmakers, você vende seus beats? Como você trabalha?

Raiany: Volta e meia recebo propostas de projetos para produzir. Muitas delas, são de supostas “parceiragens” onde teria que investir meu tempo, beats e a longo prazo talvez receber algum tipo de pagamento.
No momento, não consigo realizar tais trocas pois o apoio financeiro imediato é muito importante para seguir com meu trabalho.

Creio que ao sugerir esse tipo de proposta, algumas pessoas não pensam no trabalho e nas horas que nós produtores precisamos empenhar para criar o beat.

Bocada Forte: Suas considerações finais e fale um pouco de seus próximos trabalhos e projetos, fique a vontade.

Raiany: Estou produzindo uma série de vídeos realizando performance de live beats, onde uso samples exclusivamente de mulheres. O primeiro já saiu, está no meu canal do YouTube e página do Facebook, em julho sai o segundo.

Também no final de julho, vai rolar no YouTube minha participação no projeto Beats Sessão da Tarde’, projeto criado para mostrar vídeo-sets de 15 a 20 minutos de alguns beatmakers e produtores convidados.
No segundo semestre a beat tape, que estou em processo criativo há vários meses, também deve tá por aí mas ainda não tem uma data certa de lançamento. Divulgarei nas redes sociais assim que tiver a confirmação.

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