Data histórica marca o encontro entre Jay-Z, Pete Rock & CL Smooth

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A história proporciona encontros em diversas datas, sempre falamos sobre isso no BF. Artistas e suas obras acabam se encontrando na linha do tempo da música. No calendário do Rap mundial apresentamos mais um desses encontros que acontece, desde 1996, no dia 25 de junho – Pete Rock & CL Smooth com o lançamento do EP ‘All Souled Out’ em 1991 e Jay-Z com seu primeiro álbum, ‘Reasonable Doubt’ em 1996. O primeiro completando 28 anos e o segundo completando 23 anos.

Pete Rock & CL Smooth

Capa do Disco Pete Rock & CL Smooth

All Souled Out é o primeiro EP de uma dupla de muito sucesso no Rap, Pete Rock & CL Smooth. Mais uma parceria entre DJ e MC que acabou virando símbolo de uma era, a “golden era”. Lembrando que os dois não são apenas DJ e MC, mas também produtores e compositores. O disco foi lançado em 25 de junho de 1991, teve uma repercussão modesta, mas como era um EP serviu de aquecimento para o que essa dupla viria a aprontar com Mecca And Soul Brother (1992) e The Main Ingredient (1994).

São apenas seis faixas, que em 2014 foram relançadas em uma edição de luxo e de bônus trouxe as versões remix e instrumental das músicas: “The Creator”, umas das que estourou e é como se fosse uma faixa solo do Pete Rock, onde ele rima e risca; a outra foi “Mecca and Soul Brother”, que deu título ao primeiro álbum da dupla.

As outras faixas do EP são: “Good Life”, “Go With the Flow”, “All Souled Out” e “Good Life” (Group Home Mix)”. Esse disco é realmente bem modesto, mas ganhou importância histórica por ser o primeiro de uma dupla que até hoje é referência em rimas, produção, utilização de samples de funk e jazz e pela construção de batidas cheias de elementos, mas com muita harmonia. Os dois tem marcas registradas que foram mostradas nesse EP e seguiram assim nos álbuns. CL tem um estilo de rimar que é suave, impossível de não reconhecer e também não costuma usar palavrões em suas letras. Pete é um mestre na harmonização dos timbres pesados, com os vários elementos e instrumentos dos samples, sem contar a sua performance como DJ em todas as faixas.

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Os dois se separaram em 1995, tiveram algumas desavenças, que fez com que cada um seguisse seu caminho. Lançaram seus trabalhos solos, algumas compilações e edições especiais e em 2010, após a morte do Guru (Gang Starr), deram o braço a torcer com medo que acontecesse o mesmo que aconteceu com DJ Premier, que não conseguiu fazer as pazes antes da morte do companheiro de tantos anos. Anunciaram que um novo disco seria feito, os anos se passaram e nada, em 2018 entraram em choque novamente e até então nada de disco novo da dupla.

Ouça o disco

Jay-Z

Em 25 de junho de 1996 nascia o que viria a ser a discografia mais bem sucedida do Rap. Nessa data Jay-Z lançou seu álbum de estreia, o pesado Reasonable Doubt. Que disco! Ouvindo novamente, e imaginando não saber o que aconteceria depois, fica difícil de acreditar que os próximos discos viriam no mesmo nível, alguns até superiores.

A partir desse lançamento, o menino do Brooklyn lançou e emplacou sete discos consecutivos, um a cada ano até 2003! A primeira vez que vi ele rimar, foi no vídeo da música “Show & prove”, do Big Daddy Kane com participação dele, Ol’ Dirty Bastard, Sauce Money, Shyheim, Scoob Lover e produção do DJ Premier. Entre os mais novos – porque não posso contar Big Daddy e O.D.B – ele roubou a cena nessa faixa, que é um exemplo do que é uma verdadeira “cypher”.

Foto do Acervo BF

Antes desse disco de estreia ele lançou um single com duas faixas (“In my lifetime” e “I can’t git wit that”) teve alguns problemas com a gravadora responsável pelo lançamento e ai resolveu partir, junto com Damon Dash e Kareem Biggs, para o início da construção de um império, a Roc-A-Fella Records, por onde acabou lançando esse single. Mas essas primeiras músicas não entraram em nenhum dos seus primeiros discos.

Esse álbum não foi o de maior sucesso em vendas na carreira do rapper, pelo contrário, em vendagens é um dos piores. Mas dá para entender, é um disco de Rap de raíz, não é um disco com músicas pop ou com pelo menos uma ou outra faixa que se encaixe nesse mercado, que ele acabou aprendendo a agradar. Uma coisa é certa, pode não ter sido o grande sucesso de vendas que ele está acostumado hoje, mas com certeza é um dos melhores e se fizer uma pesquisa entre especialistas e fãs, essa obra vai ser a preferida, é o Jay-Z em estado bruto.

São diversos produtores, entre eles, DJ Premier, DJ Clark Kent, DJ Irv (Murder Inc.) e Big Jaz ou Jaz-O, um dos responsáveis por revelar Jay-Z, juntamente com Big Daddy Kane. As participações também são do mais alto nível, o menino sempre soube que para crescer tem que estar com os melhores e isso ele faz até hoje, se liga nos feat. – Notorius Big, Mary J. Blige, Foxy Brown, Memphis Bleek, Sauce Money, Big Jaz e Mecca.

Desse álbum saíram 4 singles:
“Dead Presidents II” foi o primeiro e foi lançado pra preparar a chegada do álbum, dizem as más línguas que a treta entre ele e o Nas começou com essa música. Nessa faixa ele usou colagens da música “The world is yours” do Nas, que de acordo com o próprio Jay-Z foi a inspiração para escrever a música. O motivo de falarem do inicio da treta, é que quando ele foi gravar o vídeo convidou Nas para refazer as colagens que são usadas no refrão, mas o rapper do Queens recusou.
“Ain’t No Nigga” tem a participação da Foxy Brown e do Jaz-O, que também fez o instrumental. Linha de baixo pesada e vários samples, ele usou muita coisa e a Foxy atropelou o menino na rima.
“Can’t Knock the Hustle” é a primeira faixa do disco, tem a participação da Mary J. Blige e é aqueles R&B dos anos 90, pesadão.
“Feelin’ It” uma das melhores do disco, tem a participação da desconhecida Mecca, produção do Ski com sample da música “Pastures” de Ahmad Jamal. De acordo com Ski era pra esse instrumental ter sido usado pelo Camp Lo.

Como fã do Premier preciso deixar registrado que as músicas que ele produziu também estão entre as melhores – “Friend or Foe”, uma das poucas músicas produzidas por ele que não tem scratch, mas também a mais curta do disco; “Bring It On” com participação do Big Jaz and Sauce Money é mais uma indicação da treta que falei antes, porque os convidados para rimar foram Nas e AZ, que não apareceram; “D’Evils”, Primo na sua essência, é só trocar pelo vocal do Guru e é uma música do Gang Starr, as colagens usadas pelo DJ foram Snoop Dogg e Mobb Deep.

Um prazer ouvir esse disco novamente e perceber o quanto ele aprendeu a lidar com o mercado e equilibrar a raiz e o peso do Rap com o lado comercial que a indústria que ele comanda hoje exige. Vale lembrar que esse disco teve um relançamento em 1998 com a faixa bônus “Can I Live II” que tem participação de Memphis Bleek.

Ouça o disco

 

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