Rapper Crespo lança o álbum ‘A estética da dúvida’

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O rapper Crespo. Foto: Elza Cohen
A capa do álbum

#RapBRASILEIRO (Por Silvio Essinger via Assessoria de imprensa)
A estética da dúvida“, o disco, coroa a trajetória de CRESPO, rapper filho de pai negro e mãe branca, que foi criado entre os batuques (Barbosa, seu pai, foi um dos compositores, para a Mocidade Alegre, do clássico samba enredo “Embaixada de sonho e bamba”) e o punk hardcore. O rap, diz o artista, foi o desdobramento natural desse caminhar pelo som: “Queria trabalhar com uma parada em que a palavra fosse protagonista.” E o recado do seu disco é certeiro. “Fiz do meu trabalho vida, da minha vida, profissão / falar é prata, calar é ouro”, avisa Crespo em “Terra em transe“. “Sigo escrevendo certo entre raciocínios tortos / refazendo sentimentos que em muitos estão mortos“, poetiza ele, por sua vez, em “Te incomoda” – em seu discurso, as palavras perturbam a ordem, mas também dão sentido a uma existência.

Crespo. Foto: Elza Cohen

Mudam os temas, mas todas as músicas de “A estética da dúvida” se relacionam com o amor, alega o rapper – amor pela função, pela vocação e pela arte. Em “Justiça“, o que está em jogo é o racismo, de todos aqueles que apresentam aos negros a porta dos fundos e se indignam ao vê-los entrarem de sola pela porta e pela janela. “Não quero o que é seu, eu só quero justiça“, protesta Crespo. Em “Louco de solidão“, ele denuncia o jogo de palavras que vira jogo de poder. Já no reggae “Tarja verde“, suas baterias se voltam contra a hipocrisia de quem decide o que é droga e o que é remédio, lembrando a velha lição de que uma erva natural não pode te prejudicar (ou, pelo menos, não deveria prejudicar). “Abre o apetite, relaxa e acalma / dilata sua pupila, abre as portas da alma“, relata ele.

O romantismo, indicativo de uma vida emocional saudável, não fica de fora de “A estética da dúvida“. “Pecado capital” e “Juras de amor” oferecem uma visão terna mas sem ilusões do amor, enquanto que “O mundo de Sofia” é a mais bela declaração de um pai para uma filha. “Eu entrei na brisa daquele samba do Candeia, que se chama ‘Inventário’, de deixar os meus conselhos de herança pra ela“, conta Crespo. Outro amor – a cidade de São Paulo – é cantado nos versos angustiados de “Vambora” (“menos horas marcadas e menos mediocridade / a selva de concreto implora por mais amor“) e em “Persigo”, na qual Crespo sampleia músicas de Itamar Assumpção e de Caetano Veloso – dois dos forasteiros que melhor cantaram a capital paulistana em suas belezas e paradoxos.

Itamar não é presença casual em “A estética da dúvida”. Em sua predileção pelos lados B, o rapper acabou conhecendo e se aprofundando na obra dos grandes malditos da MPB (Jards Macalé na linha de frente), os quais celebrou no show e no disco “Maldito” e, agora o faz de novo com a música “Marginal” (assista acima), na qual fala da grande mídia e de seus esquemas para cercear a criatividade em prol da normalidade. “Antes era só jabá, hoje é link patrocinado / o jogo é o mesmo, os peões foram trocados“, ensina ele. Com produção classe de Alexandre Basa (de discos de Black Alien e Mamelo Sound System, que segundo Crespo, “veio propondo um monte de melodias“) além de assinar todos os arranjos, reafirmando sua sensibilidade musical e seu talento como multiinstrumentista, masterização top de Buguinha Dub (Racionais MCs, Nação Zumbi), “A estética da dúvida” é a porta de entrada para um rap de múltiplas possibilidades – tantas quanto são as quebradas e as caras de São Paulo.

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Ouça o álbum na íntegra!

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