Produção musical e representatividade feminina são temas do documentário ‘Mulheres Beatmakers’

Sabrina e Luciana. Foto: Divulgação

Para falar sobre a representatividade feminina no hip hop e no mundo dos beats, Sabrina Emanuelly e Luciana Santos, integrantes da produtora Minas Produções, gravaram o documentário “Mulheres Beatmakers” (clique aqui para apoiar o projeto), que aborda a trajetória das beatmakers Rafa Jazz, Sue, Iasmin Turbininha e EveHive.

Estudantes do curso de Produção de Áudio e Vídeo, da ETEC Jornalista Roberto Marinho, as duas jovens documentaristas estão na fase final do projeto. Luciana concedeu entrevista ao BF para falar do documentário, das dificuldades enfrentadas pelas mulheres beatmakers e da troca de conhecimento que rolou entre as minas. Leia abaixo:

Bocada Forte (BF): Como surgiu a ideia do documentário? Qual foi o gatilho?

Luciana Santos:
A gente tá no último semestre do curso de áudio e mídia na Etec. Para o TCC, surgiu este tema, porque eu curto beats, mas não tenho tempo para produzir por enquanto. Admiro muito a cena, [a ideia do documentário veio] também por existirem poucas mulheres em relação ao número de beatmakers homens. Mesmo assim, há muitas talentosíssimas produzindo por aí, e que não possuem muita visibilidade.

O documentário “Mulheres Beatmakers” é um jeito de juntar todas em uma obra audiovisual para mostrar: ‘olha tem mina foda produzindo por aí’. [O doc] é mais ou menos um trabalho histórico em forma audiovisual, para registrar essas minas.

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BF: Além da falta de visibilidade, o doc aborda aspectos sociais, políticos e econômicos. Poderia falar um pouco sobre aspectos?

Luciana Santos:
No Brasil, a profissão beatmaker é desvalorizada, então muitas vezes a/o beatmaker precisa trabalhar com outras coisas para se sustentar, e não consegue se dedicar em tempo integral.

A vida de uma beatmaker mulher é diferente de um beatmaker homem, na maioria das vezes, pois a mulher tem responsabilidades diferentes que se tornam obstáculos, como cuidar dos filhos, casa, etc, motivos que as impedem de se dedicar integralmente à profissão.

Além das dificuldades que mulheres de todas as profissões enfrentam, a cena beatmaker é dominada por homens, ainda que estejamos melhorando com a crescente participação feminina no mercado de trabalho. É claro que ainda existe uma série de desvantagens, desde a sua forma de inserção no mercado, discriminação na contratação, ascensão profissional, maiores faixas de desemprego e menores remunerações.

BF: O documentário está programado para ser apresentado em dezembro, na conclusão do seu curso. Planeja exibições em outros lugares para 2020?

Luciana Santos:
Sim, a gente planeja mandar para editais e festivais, exibir em centros culturais, casa de culturas, cineclubes, nos locais que a gente gravou, como a Matilha Cultural, no Nia Núcleo. Também no cineclube que acontece no Rio de Janeiro, que tem como curadora a Izabel Vega, que abrigou a gente na casa dela durante as gravações, entre outros que surgirem oportunidade.

A gente ainda não parou para se dedicar a distribuição do documentário, mas vai ser bem aquele negócio de bater na porta e pedir para exibirem e, por fim, quando o filme rodar bastante, vamos disponibilizar na internet.

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BF: Além do fator grana, qual a principal dificuldade que vocês estão enfrentando para a produção deste doc?

Luciana Santos:
Equipe, pois somos apenas duas para fazer produção, fotografia, montagem, roteiro, som, etc. Contamos com assistência de algumas amigas com interesse no audiovisual, o que já ajuda muito.

Equipamentos também, usamos o da escola, que está bem danificado e, às vezes, nos deixa na mão. Também usamos equipamentos de amigos da área que emprestaram.

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A equipe é reduzida, pois a Etec Jornalista Roberto Marinho sofre com evasão no curso na parte da tarde, e nessa semana recebemos a triste notícia que não terá turmas para o próximo semestre. Não tem haver com o doc mas, enfim, é triste. É um ótimo curso…

BF: Como foi a recepção das beatmakers à ideia do doc?

Luciana Santos:
Foi maravilhosa, todas elas estão apoiando, mesmo que não possam ajudar participando diretamente, elas se interessam e estão à disposição, ajudando e fazendo pontes, divulgação. Esse doc é positivo…tanto para nós quanto para elas.

BF: Poderia falar um pouco das histórias das beatmakers ficaram marcadas em sua mente?

Luciana Santos:
Uma beatmaker foi chamada para fazer a trilha sonora de um banco famoso. Ia ser uma oportunidade incrível. Foram chamadas várias mulheres para trabalharem, tanto no roteiro como na locução. Chamaram a Elza Soares para fazer a locução desse documentário.

Só que o roteiro dizia mais ou menos assim: ‘que nós mulheres já conquistamos muitas coisas, mas que ainda havia muito a ser conquistado’.

Isso foi o suficiente para eles [do banco] considerarem uma coisa pesada. A trilha sonora já estava pronta, várias coisas estavam encaminhadas, mas aí foi cancelado, derrubaram esse comercial. Simplesmente por uma verdade.

Escolher uma situação específica é muito difícil. A gente aprendeu muito com elas. São mulheres incríveis que têm conhecimento, carreira. Elas têm coisas pra ensinar, coisas pra dizer […] Nós somos mulheres diferentes agora. A gente aprendeu muito com elas.

Acho que a troca que mais marcou a gente foi com a beatmaker EveHive. Ela também é DJ, produtora da festa Velcro. Esta festa teve duas edições, era do Rio e veio pra São Paulo.

EveHive chamou a gente pra fazer a fotografia. Foi fortalecimento, ela deu essa oportunidade de trabalho. Acho que isso é o mais importante: você dar emprego para as mulheres e a gente se fortalecer também no capital. Foi muito importante, foi a primeira festa que a gente fotografou. Elas adoraram as fotos. Foi significativo, algo importante sentimentalmente e financeiramente.

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